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sábado, julho 21, 2007

Rīga spirit(s)

To all the Erasmus boys and girls, check this out: I don't drink alcohol except on special occasions. The problem is, for me life is a special occasion. Tough luck. So I brought Rīgas Melnais Balzam, Żubrówka, Kaznacheyskaya and Русский стандарт. Some say that might be enough, but it's hard to quit a healthy routine like we had in Rēznas. Thus I took action and solved that problem as well.





Балтика 3, 5, 6 and 7 available.
Praise the Ukrainians!

terça-feira, junho 05, 2007

Portugueses libertados

Os dois portugueses e um espanhol que ainda estavam detidos foram finalmente libertados!

http://dn.sapo.pt/2007/06/05/sociedade/portugueses_detidos_foram_libertados.html

Mas devo dizer que a opinião dos letões com quem tenho falado é bastante negativa. Vieram sacar bandeiras para um dos piores sítios possíveis...

sábado, junho 02, 2007

Manifestação de apoio aos portugueses detidos na Letónia

Conforme referi há uns tempos, um grupo de portugueses e espanhóis foi detido em Rīga há algum tempo, por roubarem uma bandeira numa bubadeira. Neste momento a coisa escalou de tal maneira que o caso está nas mãos do equivalente ao SIS aqui da terra.

Dois já regressaram. Declarações ao DN

O tratamento a que estão a ser sujeitos é grave e inaceitável.

Fica aqui um apelo à participação numa manifestação, enviado por um amigo destes jovens a José Milhazes, que podeis consultar no blog Da Rússia. Lá estão outras informações de relevo. Transcrevendo:

"Conheço directamente uma das pessoas que ainda está detida.

Infelizmente, há que criticar nestas situações. De facto a idade não é de 15 anos, mas sim 25, e a responsabilidade deveria pesar.

A questão importante neste caso, é o modo como foram detidos, acusados, e aparentemente condenados.

O problema é que a acusação está a envolver alguns aspectos políticos e as coisas podem alcançar proporções despropositadas. O tratamento que estão sujeitos na prisão em Riga é preocupante.
Como podem ver no mail abaixo, está a ser organizada uma manifestação amanhã em frente à embaixada da Letónia em Lisboa. A ideia é tornar o caso mais mediático de forma a que exista alguma pressão política que possa pelo menos garantir que eles não são mal tratados.

O objectivo não é desculpar, mas sim que sejam garantidos os seus direitos. Confirmo que as autoridades os agrediram e que os ameaçaram com armas.

Ricardo

> A situação já foi notificada nas noticias, hoje sexta feira vai haver
> uma
> conferência de imprensa no aeroporto com um dos Portugueses já
> libertados às
> 18h. Pretende-se fazer uma manifestação em Lisboa junto à embaixada de
> Lisboa este Sábado ( não será o melhor dia devia de ser durante a
> semana,
> mas o que acontece é que à mesma Hora às 17h vai haver uma também em
> Madrid,
> quando for o jogo Espanha-Letónia), segunda feira de manha deve de haver
> uma
> outra, esta em conjunto com pessoal em vários países da Europa.
>
> O que peço é que consigam falar com o máximo de amigos do Paulo e
> passar a
> mensagem, para estarem no Sábado em frente à embaixada da Letónia em
> Lisboa!!!!"


Não sei que complexos nacionalistas e que movimentações políticas estão por detrás disto (a eleição presidencial foi esta semana), mas protesto contra esta situação perfeitamente absurda. Tratassem de criminosos a sério, que os há muitos por aqui.

Espalhem a palavra e manifestem-se!

quinta-feira, maio 17, 2007

Ibericozinhos

Por outro lado, se em termos de tráfico de droga e capacidade aeromilitar estes gajos são fracos, em termos de defesa dos seus símbolos nacionais são bastante severos. Um bando de ursos foi dentro por andar a amotinar com bandeiras (que esta cidade está sempre cheia delas, seja por visitas de alto nível ou pelos feriados quinzenais de independência) e pela descrição, acho que foi o mesmo grupo que encontrei no french bar...

A propósito, não tenho nada a ver com o assunto. Estava bem longe nessa altura. Citando um filósofo esloveno:
I didn't do nothing!

domingo, abril 15, 2007

Equilíbrio frágil

Não me considero exactamente pessimista, mas não ignoro que há muita coisa errada comigo e em meu redor. Estou desterrado num bairro pobre no Leste da Europa, a minha carreira académica não anda saudável e ando a beber demais. Campus Europae, chamam-lhe.

Ontem, nova parda. Vou culpar a vodka, como é evidente. A garrafinha que trazia na mala foi apreendida pelo segurança dum bar (ninguém me mandou abrir a dita dentro do respectivo, pronto), vinguei-me com os malditos apple pies (6 em 10 minutos), mandei um tralho clássico, arrastei-me para morfar uma hamberga, paguei um balúrdio pelo táxi e cheguei inteiro a casa. Do mal o menos.

O que é chato é um gajo acordar, ver uma poça de vómito ao lado da cama e não ter presente memória de tal ocorrência. Isto implicou uma limpeza total ao quarto e duas máquinas de roupa, não pelo estardalhaço, que foi mínimo, mas porque resolvi aproveitar o ímpeto higiénico. Agora o quarto está limpinho, arejado e muito mais apresentável para as visitas, e tenho mais roupa lavada.

Como salvar um domingo que começa desta forma? Complicado, mas possível. Um telefonema à esposa, uns ovos estrelados e tosta de queijo e uns minutinhos sentado ao sol, na companhia distante da komandante mais rezingona do plantel, da velhinha sentada no banco do jardim, dos três vagabundos que ocuparam o prédio em frente e já lhe pegaram fogo duas vezes, do casal francês e do austríaco que resolveram fazer um picnic a 20 metros do dormitório, mais uns gatos vadios e uns corvos.


Bucólico, não?

Numa tarde calma e soalheira é fácil descontrair, por muito má que tenha sido a manhã. Vale a pena aproveitar o que há de bom na vida. Boa tarde a todos :)

sábado, março 24, 2007

Descontrolos II

Como se um descontrolo não bastasse, eis que se regista mais uma festa, com bófia e baldes de água para correr com o povo todo. E o maldito french bar, obviamente... Um gajo ziguezagueou até casa mas adormeceu do lado de fora da porta do apartamento, três foram catados pela bófia porque tinham roubado uma árvore (?) e há um francês desaparecido. Até agora já concluímos isto, mas Causa @ Latvija prossegue a investigação!

E falando em descontrolos, estou a ouvir as Bolas com Creme com uma banda de trash metal ecológico :)

sexta-feira, março 23, 2007

Descontrolos

Parece que a malta se perdeu um bocado, ontem... Franceses ruidosos a malhar na vodka como se não houvesse amanhã, brincadeiras de porrada num apartamento, cortejo escandaloso até ao centro, pegámos num gajo em peso e atirámos para a estrada (belga, justifica-se), fomos até um clube onde havia uma festa de coelhinhas, meia hora de torneio de matrecos, um calor abrasador naquela cave, engates e comilanços manhosos, discussões filosóficas, shots e canecas, fechámos o clube, o mesmo grupo espalhou-se por 5 trolleys diferentes, malta a falhar paragens e a acabar nos tomates do ghetto russo... e uma manhã inteira a tentar reconstituir tudo isto, recorrendo a múltiplos testemunhos parciais.

Bala!

domingo, fevereiro 25, 2007

Frescuras de Fevereiro

No final de Janeiro assistimos ao fim do Inverno mais quente dos últimos 50 anos em Rīga. As temperaturas baixaram, houve um ou outro nevão e o verdadeiro Inverno começou a fazer-se sentir.

Na altura em que me mudei para Rēznas iela de novo já tínhamos direito a manto branco e viam-se placas de gelo a flutuar no rio Daugava. Enfim, está fresquinho e tal, mas a malta aguenta. Uns meros 5 graus negativos não assustam ninguém, não é verdade?


I'm dreaming of a white Rēznas...


Resultado: dois botes afundados

Mas só para a gente aprender a não teimar, eis que chega o Inverno agreste. 20 graus negativos, às vezes 25, e um ventinho que constipa tornaram a última semana e meia num sério desafio. Ao fim de cerca de um minuto de mãos nuas ao vento, a sensibilidade na ponta dos dedos vai-se, para só regressar passado um bocado no quentinho. A cerveja congela nas garrafas em cerca dum quarto de hora. O rio está congelado, dá para atravessar a pé (Jesus, calhando, era nórdico) e vêem-se muitos pescadores a abrir um buraquinho no gelo e a aproveitar o tempo de qualidade longe das esposas.


Firme e hirto e branco


A garrafinha de vodka estava bem guardada

De algum modo, os patos continuam a dormir ao relento.
Não lhes invejo a sorte...


Apetece-me arroz de pato

Para sossegar as hostes, devo dizer que ainda não me caiu extremidade nenhuma, até porque dentro de portas costuma estar sempre quentinho... mas andar lá fora chega a ser levemente incómodo.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Haja saúde!

Um país do Segundo Mundo é do pior que há para se adoecer, porque a malta acredita que vai tudo correr bem, mas é mentira...

Todos os médicos competentes emigraram, a única clínica em Rīga onde se fala inglês tem uma médica que manda toda a gente fazer radiografia ao tórax, independentemente dos sintomas, mas é incapaz de tirar conclusões da dita radiografia (há sempre uma cábula que ela lê), e agora confirma-se a pouca importância que esta malta dá às questões de saúde:

http://www.baltictimes.com/news/articles/17390/

O que vale é que a vodka e o balsam curam quase tudo...

domingo, fevereiro 11, 2007

Outro perdido...

Depois da deserção da Cláudia, temos reforço do contingente nacional aqui em Rīga!
Sô Zé, seja bem-vindo. Beba mais um copo :)

Este jovem não perdeu tempo e também lançou o seu blog, que podeis visitar em
http://perdidovialatvia.blogspot.com/

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Brigada da curtição

Para quem tinha dúvidas acerca do trabalho da polícia nesta terra, fica a prova do empenho e profissionalismo.

Estava a malta à espera na paragem de autocarro, por volta das 22h, quando uma carrinha da polícia aparece, liga os rotativos e manda uma posta qualquer pelo altifalante. Aparentemente isto era dirigido a um indivíduo que estava ao pé dum portão.
A carrinha é estacionada em frente ao portão e saem 3 agentes, de fato-macaco da intervenção, que abordam o indivíduo.

Mas a abordagem é estranhamente amigável tendo em conta o espalhafato anterior.

Em menos dum minuto, a carrinha está a bombar som bem alto, dum CD, primeiro um sucedâneo de hip-hop, depois uma pepineira electrónica, os agentes e o indivíduo estão a fumar e a dançar junto à carrinha, e o condutor de vez em quando liga os rotativos para combinar com a batida, e uma vez até liga o altifalante, presenteando todo o bairro com o som de que obviamente se orgulha.

Acabam de fumar, enfiam-se na carrinha e seguem o seu caminho, patrulhando as ruas da cidade que agora se sente muito mais segura.


Mais que polícia, polícia com estilo!

sábado, setembro 23, 2006

Dormitórios II

Os vigaristas do Metro deram-se mal com a palhaçada, que isto de tentar chular alemães e outros povos mais civilizados nunca foi muito boa política.
Aconselho a consulta do post anterior dedicado a esta temática, para melhor compreender as motivações e o alcance duma missiva que tem circulado do outro lado da rua, e que passo a transcrever:

LETTER OF COMPLAINT

Dear responsible person of “Metro”,

with this letter we - a number of inhabitants of the student hostel “Metro” -express our anger about the living conditions in the dorm. And with this letter of complain we although want to inform the officials of Latvijas Universitate and the Erasmus-Coordinators in the different countries about our present situation.

Most of us moved in on September 1st 2006 even though the rooms were not ready at that time, because you had promised us written down in the contract that the rooms as well as the kitchens will be finished and completely furnished till September 10th. Today it´s September 20th and you still haven`t fulfilled the conditions of the contract.

We have tried to be very patient and to take everything with a sense of humour because we know that we are guests in your country and that problems in different cultures are solved in different ways. Because of the following reasons we are no longer willing to tolerate the situation:

1.First of all, when we moved in most of the rooms were only consisting of a bed and half a wardrobe and they were not clean. Only because of our daily and exhausting complaining we managed to get one furniture after another until September 18th.

2.Until today the kitchen only consists of a fridge and two microwaves, therefore we are not able to cook any meals. The promised laundry-room doesn`t even exist. This situation causes a lot of extra costs and lost of time because we have to cross half of the city to wash our clothes.

3.Although you had promised us, that the workers won´t enter our rooms without someone of the officials watching them, they went many times in our rooms on their own. Because we have all our valuables in our rooms, we don´t want to accept that any longer.

4.Our internet connection is most of the time so slow, that it´s nearly impossible to send or receive emails. And the promised computer hall still doesn´t exist, as well as fitness and recreation centre with sauna, cafeteria and shop.

5.As it was agreed with you some of us lived till September 10th for free and then transferred the money for the rest of the month. That means some of us have fulfilled their part of the contract, even though the rooms as well as the kitchens weren´t finished at that time.

Finally we also would like to mention that most of the time we had problems in finding one of the officials of “Metro” to discuss our problems. And even when we talked to someone we didn´t feel that our problems were taken seriously. Now we are waiting for an official statement on our complains.


Para melhor compreensão do desconforto em que esta malta vive: ontem à noite fui visitar a maralha, precisei de largar uma poia e tive de fazê-lo às escuras, pontualmente auxiliado por um isqueiro (o que é naturalmente perigoso).

Entretanto a LU decidiu auxiliar os estudantes nas suas pretensões, também estão bastante chocados com a situação... A intensidade das queixas tem sido tal que a linha telefónica dum dos quartos, que liga à recepção, deixou misteriosamente de funcionar. Nesse quarto vive uma das jovens mais indignadas do prédio.

Permito-me achar piada.

Mais um detalhe: vou mudar-me brevemente para uma casa. Depois conto.

sábado, setembro 16, 2006

Transportes

Rīga é uma cidade bastante grande (óbvio) pelo que andar a pé dum lado para o outro pode ser muito cansativo, e mesmo desaconselhável em algumas zonas... Já fiz o trajecto desde o centro até ao dormitório, à noite, e considero que foi uma ideia muito estúpida. Em ambas as ocasiões.

A rede de transportes públicos é muito completa, e inclui autocarros, trolleys e eléctricos da transportadora municipal Rīgas Satiksme, e ainda minibus e táxis de várias espécies, cada qual com seu filme. Aqui fica o guia:

15. trolejbuss

Nos transportes da Rīgas Satiksme, a tarifa fixa é de 20 santimu (cerca de 30 cents) para qualquer percurso. Há milhentas variedades de passes, consoante o número de percursos que permitem efectuar e o tipo de transportes utilizados (autobuss, trolejbuss, tramvajs), e em geral sai barato.

Existe a figura do cobrador, ou konduktors, uma qualquer personagem que deve amaldiçoar a sua sorte todas as manhãs, pois o trabalho exige viajar um dia inteiro a esgueirar-se dentro de carreiras sobrelotadas a tentar fazer trocos e verificar passes. Esta função é ocasionalmente desempenhada pelo motorista, sobretudo nas carreiras nocturnas. É o chamado emprego de merda, mas dá sustento na mesma.

Os horários são abrangentes, mas só surgem indicadas as carreiras entre as 5h30 e as 0h00. No entanto há serviços nocturnos, ao mesmo preço, cujos horários podem ser consultados no saber popular urbano, e que dão bastante jeito. São aliás a alternativa mais barata para voltar a casa depois duma noitada.

A capacidade – leia-se lotação – destes meios é testada ao limite todo o santo dia. A título de exemplo, a carreira 15, que sou obrigado a usar, é servida por uns 10 trolleys, dos quais 6 ou 7 são articulados, passa um a cada 5 minutos, em média, e mesmo assim há sempre um abuso de gente lá dentro. Se fosse uma discoteca, só se dançava com os olhos. Alguém consegue conceber uma maneira melhor de começar o dia do que viajar 20 minutos com o nariz enfiado num sovaco dum russo com problemas de higiene pessoal e a invejar a liberdade de movimentos da sardinha enlatada?

"multitáxi"

Estas carrinhas de 15 lugares são outra forma muito popular de circular em Rīga. Têm trajectos e tarifas fixas, mas não têm horário fixo e são exploradas individualmente, creio.
Funcionam um pouco como abutres do trânsito... procuram as paragens do transporte regular que estejam mais cheias, recolhem alguma clientela e seguem.
As tarifas são 30 santimu durante o dia e 40 durante a noite. Também sai barato, é minimamente confortável e circulam a toda a hora.

táxis vermelhos

Os táxis vermelhos têm umas vantagens fiscais quaisquer, ao abrigo dum acordo entre estes taxistas, o município, os hotéis e o aeroporto. Isto traduz-se automaticamente num controlo apertado das condições em que circulam, o que os torna particularmente fiáveis, sobretudo no que toca ao taxímetro.
Como estão associados ao hotéis, não é muito comum encontrá-los em praças, mas também andem aí...
Do centro até ao dormitório, o preço fica pelos 3 lat.

táxis brancos

Estes ninguém controla. Taxistas por conta própria são necessariamente mitras, e russos na sua grande maioria. Taxímetros traficados são o pão de cada dia, e falar estrangeiro nas proximidades dá golpada garantida. Para o percurso acima referido, em vez de 3 lat, ou mesmo 4 lat, os taxímetros podem marcar 9, 12 ou 44 lat, conforme a atitude do cliente. A forma mais segura é regatear o preço antes de entrar no táxi, alguns ainda embarcam nesse esquema.
A evitar.

E agora a anedota:
Um russo-letão morre e bate às portas do Céu.
Martinho Lutero atende.
-Bom dia. Posso ajudá-lo.
-Sim, por favor. Queria entrar...
-Mas o senhor é russo-letão, certo?
-Sou sim.
-Pois, sabe... isto é o Céu Luterano. O senhor deve estar à procura do Céu Ortodoxo...
-Mas eu fui chamado pelo Senhor!
-Oh! Desculpe! Que confusão a minha... Senhor, o seu táxi está aqui!

domingo, setembro 10, 2006

Dormitórios

Esta é dedicada a quem já viveu em residências universitárias e achou que tinha razões de queixa...

O alojamento oferecido aos estudantes internacionais da LU consistia em dois dormitórios, designados por Reznas e Metro, ambos situados em Rēznas iela, Maskavas forštate.

Metro
www.svmetro.lv
Ao consultar a página, e já dispondo de preçário, pareceu-me que esta gente tem as prioridades trocadas... Ginásio, sauna e coisas do género parecem-me ligeiramente descabidas numa residência destinada a estudantes universitários. Estas coisas pagam-se, e bem! Quartos que lembram os cenários dos “Morangos com Açúcar”, andares baptizados com nomes de cidades ou países, pares de quartos baptizados com nomes de estações de metropolitano... muita parra e pouca uva. Acresce a isto que quem consulte a página fica com a ideia de que a área envolvente é tão convidativa como o interior do edifício. Nada mais longe da realidade.

Este dormitório esteve fechado durante Agosto porque é novo e ainda não estava pronto. A maior parte da malta que esteve alojada no Reznas estava à espera de mudar para lá em Setembro, e quando o fizeram ficaram um bocado desapontados. E eu diverti-me imenso.

Ginásio e sauna, não estão prontos.
Elevadores, funcionam conforme a Lua (óptimo para quem vive no 9º andar).
Espelhos na casa de banho, mentira.
Secretárias no quarto, não creio.
Net no quarto, para breve.
Proibição de ter bebidas alcoólicas nos quartos (boa sorte com essa).
Cozinha? O que é isso?

Creio que por estes dias as coisas vão ficando prontas, pelo menos nas minhas visitas tenho visto algum equipamento a aparecer, mas há que dizê-lo: são uns vigaristas.
A propósito de visitas, é favor deixar documentos na recepção e preencher milhentos dados pessoais do visitante e do visitado antes de poder entrar. Para descer passados 10 minutos. Burocratas.

E quem raio paga 180 € por um quarto individual num hotel (mesmo) que fica no guetto russo?

"Reznas" - Latvijas Universitātes Dienesta Viesnīca
A minha escolha recaiu sobre este pedacinho de céu.

Entrada

Edifício

120 € por um quarto individual, com direito a lençóis. Acesso a cozinha, duche, retretes, lavandaria e sala com PC's ligados à net, parece suficiente.
Não é suficiente. Passo a explicar.

Corredor

23 quartos, metade deles ocupados por duas pessoas, a outra metade só por uma (como é o meu caso) resulta numa população flutuante entre 30 e 40 pessoas.

Cozinha

Agora temos duas cozinhas, e em cada uma delas há um frigorífico (a abarrotar), um armário pequeno, 4 pares de bicos de fogão, nem um forno para amostra, 4 lava-loiças e um escorredor pequeno.
O equipamento móvel, que se move duma cozinha para a outra, resume-se a: uma panela, 2 tachos, 4 frigideiras e 3 colheres de pau. Talheres, copos e chávenas há com fartura, pratos há talvez uns 10...

Os chuveiros são 3, cabines sem porta, e como são unissexo só são usados por uma pessoa de cada vez.
Retretes são 3, e ao fim-de-semana há crises higiénicas por estas bandas, porque aquilo só é limpo em dias úteis.
A lavandaria consiste em 4 máquinas de lavar, para servir não um corredor mas sim todo o edifício (talvez umas 150 pessoas), enfiadas numa cave, onde por sinal também ficam os estendais, sobrecarregados. A roupa leva 3 dias a secar, com sorte. E é Verão.

A sala com 4 PC's também demonstrou ser insuficiente, porque a demanda por 10 minutos para verificar correspondência e ler um par de notícias esbarra na incivilidade de ficar 3 horas seguidas em chats ou a ver páginas com vestidos de gala. E os teclados são um filme.
Só tive acesso à net no quarto quando se formalizou a minha matrícula e me foram entregues dados de acesso à intranet da Universidade.

Como se isto não bastasse, a Administradora só fala letão e russo, tal como as 4 senhoras mal-encaradas que se revezam na recepção e cuja tarefa é manter-nos todos na ordem.
As portas abrem às 6h e fecham às 23h, mas felizmente há sempre alguém na recepção para abrir a porta a quem chegue mais tarde. Pode ser preciso fazer algum barulho para acordar a senhora, mas resulta bem

Isto pareceu um terror nos primeiros dias, mas rapidamente uma pessoa se habitua. Além disso há pior. Parece que um outro dormitório aqui ao lado (afecto a outra instituição) fica mesmo fechado entre as 23h e as 6h, as instalações são um bocado mais podres e há ratoeiras com queijo espalhadas na área dos chuveiros. Só pérolas.

Entretanto já aparecia um apartamento...

As noites de Rīga

Para acabar de vez com a rotina semanal, muda o calendário das noitadas.
Até agora, estava habituado às noites de quarta e quinta em Aveiro e às noites de sexta e sábado em Leiria, com o habitual destaque para sábado. Um clássico.

Eis que de repente dou comigo numa cidade ligeiramente diferente das supracitadas.

Durante o curso intensivo de letão, a semana estava invariavelmente preenchida com aulas, portanto chegada a sexta-feira lá seguia a romaria no troley 15 até ao centro, e ninguém sabia muito bem a que horas terminava. Mesmo ao sábado dávamos um saltinho aos bares, porque é Agosto e tal, e claro que havia uma ocasional escapadela durante a semana.
Entretanto começou o ano lectivo, a cena turística já é residual, resta a estudantada. Em geral não há aulas à sexta, o que torna as noites de quinta bastante divertidas, anda tudo a descomprimir, e as noites de sexta são uma enchente.

E sábado, pergunta o atento leitor?

Sábado é para esquecer.

Escrevo isto acabadinho de voltar do centro, e passo a descrever o cenário: bares vazios, música de merda nos que ainda têm gente e uma total falta de espírito festivo nas caras de quem circula.
Esta noite foi ainda pontuada por uma streetfight à moda antiga entre dois russos: um "bolha" de boné, todo gingão, na onda da provocação verbal, e um gajo mais pequeno, de tronco nu, com um caparro considerável, calça branca e sapato branco de biqueira estreita e prolongada.
Juntamo-nos à multidão que assiste, ninguém intervém (excepto um segurança dum bar de strip que os mandou ir espancar-se para mais longe da entrada) e uniformes nem vê-los.
O "bolha" vai empurrando o outro pela rua, usando a distância de segurança, o outro tenta atacá-lo com golpes rápidos, incluindo pontapés à cara, a cena arrasta-se sem grande contacto físico... e eis que o outro aplica um selo direitinho ao queixo do "bolha" e o deixa estendido no chão. Um só golpe. Blof!
Claro que ainda lhe pregou um biqueirão nos rins, já depois de o ter neutralizado.
O gajo veste-se, que está uma aragem que constipa, e baza com a maior naturalidade. A multidão dispersa e eventualmente o "bolha" retoma a consciência, é levantado por um amigo e baza com a maior naturalidade possível depois dum KO daqueles. Tudo normal.

A polícia chegou 5 minutos depois.

Adoro Rīga. Mas não ao sábado.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Maskavas forštate

E agora um pouco de cultura...
Durante a ocupação soviética, o regime decidiu “russificar” os estados bálticos, através de métodos particularmente repugnantes. Grande parte da população local foi deportada, e cidadãos de outras partes da URSS (russófonos) foram instalados nesta área, com particular incidência em Rīga e nas zonas fronteiriças.
Daqui resulta que a minoria russa (chamemos-lhe assim) é demograficamente significativa em Rīga. Na verdade, rondará os 40% da população da cidade.
Esta minoria está sobretudo instalada na parte Leste da cidade, numa zona chamada Maskavas forštate, que era aliás o guetto judeu antes da ocupação nazi.
Saliento desde já que a zona tem má fama, e conheço muita gente que evita deslocar-se a esta área.

É neste local simpático que estão situados 3 dormitórios estudantis, sendo que eu resido num deles. Espero que não por muito tempo. Foda-se.

O espaço em si
Riga pode ter muita arquitectura Art Nouveau, mas aqui não será com certeza.
Os edifícios variam entre a típica casa nórdica, em madeira, com telhados de águas íngremes, e os prédios de construção soviética, cujo propósito era enfiar o maior número de pessoas possível em espaços exíguos.
Além disto ser tudo cinzento (nem os passeios ajudam, tudo em cimento ou alcatrão... que saudades da calçada portuguesa) muitos prédios estão devolutos – o que não significa que estejam desabitados. Casas sem vidros nem portadas, ou mesmo sem telhado, são demasiado comuns.
A noção de ordenamento urbano desta malta também não é famoso... o conceito de “rua” abrange desde a viela mais refundida até um bairro inteiro, se for preciso. Encontrar moradas é um filme.
Em relação à toponímia, é de realçar que as placas nesta zona têm os nomes das ruas em letão e em russo, embora os nomes em russo sejam rasurados numa ou noutra.

As pessoas
É raro encontrar letões a residir por estas bandas, mas há russos aos montes e também alguns ciganos.
Na rua, no autocarro ou no supermercado praticamente só se ouve falar russo, e nada seria mais natural aqui. Daí que, ao agradecer seja o que for, um “paldies” não resulta tão bem como um “spassiba”.
Há velhinhas recessas e rezingonas a vaguear por todo o lado e a alimentar os milhares de gatos vadios das redondezas, gajos com um aspecto particularmente embrutecido a conduzir uns tunings muito suspeitos ou carripanas LADA todas fodidas, sem esquecer o ocasional camião de fabrico soviético.
Os jovens dão em delinquentes num instante, os assaltos tendem a ser violentos e costumamos ouvir uns disparos perto da linha de comboio. Também assisti a uma cena de violência doméstica em plena rua, logo pela manhã. E quando digo violência doméstica, falo num imbecil enfrascado em vodka às 9h da manhã a desancar a mulher, que vai tropeçando nos saltos altos a berrar que nem uma desalmada, enquanto o resto da família assiste sem intervir.
(E suspeito que qualquer tentativa de parar esta cena resultaria num malho de bordoada ainda maior por volta da hora de almoço... estas merdas enojam-me)
Como se todo este cenário precisasse de complemento, esta franja da população é fortemente discriminada, só porque um dia um imbecil com aspirações a conquistador da Europa um dia se lembrou de tirar uns milhares e pôr outros milhares dum sítio diferente.

É bom abrir os olhos de vez em quando.

domingo, setembro 03, 2006

Um pequeno passo

Primeiro relato oficial. Enjoy!

1 de Agosto
Da partida

Todas as partidas acabam por processar-se da mesma forma, creio.
Há a luta para deixar tudo arrumado, certificar que todos os documentos estão a jeito, etc. O habitual. Lá deixei o meu quartinho à mercê dum okupa de 16 anos, e como última experiência de condução em terras lusas, vai de levar a família até Lisboa.
Jantámos com os primos na Cervejaria Trindade, consta que o bife estava bastante bom e seria sem dúvida a última refeição decente durante alguns dias. Como recuerdo, o primo João Paulo puxou uns cordelinhos e arranjou-me dois copos de imperial da referida cervejaria. Não convém é andar a mostrá-los a pessoas que acham uma cerveja de 30 cl “minúscula”...
Após uma aventura para chegar ao aeroporto e conseguir encontrar a entrada do estacionamento (e a culpa não foi minha, limitei-me a seguir os primos) lá começou aquele protocolo do check-in e da proverbial seca à espera que se aproximassem as 2h da matina. Raio de hora para voar!
Despedir da família, um “até já” válido por largos meses, e eis-me a passar pelo controlo de segurança (não muito apertada, sorte a minha voar antes daquela confusão em Londres) e o Tiago Simões segue viagem...

2 de Agosto
Da viagem

No vôo até Amsterdão, bastante pontual, viajavam dezenas de ucranianos.
Um deles, sentado a meu lado e visivelmente desapontado com uma pequena confusão no embarque (coisa mínima) murmurava com aparente impunidade uma expressão tão nossa conhecida: “Foda-se!”
Queria ter fotografado a cara dele quando eu próprio soltei o meu “foda-se” ao apagar das luzes na cabina. Só queria ler o meu jornalinho.
A escala em Amsterdão foi terrível. Tudo bem, o terminal está cheio de sofás muito confortáveis, estilo “Morangos com Açúcar” sem a violência cromática, mas eu precisava de me manter acordado. Vai daí, uma dose de chá preto enquanto esperava.
1.80 EUR por água aquecida em copo de plástico e eu que me amanhe com o saquinho... guardei o recibo e vou emoldurá-lo.
Vagueei pelo terminal durante horas até ter porta de embarque para o segundo vôo, estava extremamente aborrecido e só me distraía com a diversidade étnica que também vagueava nas proximidades.
O vôo até Riga decorreu normalmente, sem grande coisa a registar. O desafio consistiu mais em esperar uns valentes 20 minutos pela porra da mala.
E ao franquear a porta...

Da chegada

A Monta, jovem letã que estudou em Aveiro no ano lectivo transacto, foi buscar-me ao aeroporto na companhia (à boleia, portanto) duma amiga, a Anitra. Por acaso, ou não, reconheci facilmente a figura, porque uma letã em Aveiro não passa despercebida.
Aparentemente, também é fácil reconhecer um português na Letónia.
Apresentações feitas, tratámos de almoçar e lançámo-nos em busca do dormitório em Rēznas iela (*). Demorou uma eternidade.
A descrição do dormitório e da zona envolvente estará disponível brevemente.
Dei entrada no dormitório, pousei a minha tralha, e entretanto o carro da Anitra resolveu arder, o que é sempre agradável (foi só um fio que queimou, mas segundo o mecânico aquilo podia ter corrido mal, mas mal mesmo...)
Assim que os pais dela vieram buscá-la (o carro ficou) eu e a Monta lançámo-nos nesse abismo que é o trolejbuss 15 (*) e fomos ao centro da cidade, onde tive oportunidade de espantar a minha guia com os meus limitadíssimos conhecimentos da geografia e do idioma locais, tratei de arranjar telemóvel, troquei dinheiro, fui instruído a respeito de transportes (com convite para me deslocar a Salacgrīva no dia seguinte), despedimo-nos, voltei ao dormitório, paguei o mês, “assine aqui onde está a cruzinha faz favor”, instalei-me no quarto 111, comprei uma massa manhosa no Super Netto (espécie de LIDL), comi a dita massa, jurei para nunca mais e fui dormir.

Finalmente. Estava a ver que nunca mais cá chegava...

(*) estes merecem descrição mais cuidadosa